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A importância da música litúrgica


Segunda-feira, 29 de julho de 2019


Imagem | A importância da música litúrgica

Deus inculcou nos homens a capacidade para bem modular os sons e contribuir para o esplendor do culto divino, do gozo espiritual, pastoral e deleite da alma dos fieis. Santo Agostinho dizia: “A música, isto é, a doutrina e a arte de bem modular, como anúncio de grandes coisas foi concedida pela divina liberalidade aos mortais dotados de alma racional”.
 
No Antigo Testamento, o povo de Deus, escapando por milagre pelo Mar Vermelho cantou um cântico de vitória. Posteriormente, conduzindo a arca da Aliança da casa de Abinadab para a cidade de Davi, dançavam diante Dele aos sons de instrumentos de madeira trabalhada, cítaras, tímpanos, liras e címbalos. Mais tarde, Davi fixou regras para se usar tal arte no culto sagrado com cânticos, salmos e hinos espirituais fielmente até a vinda do divino Redentor. Mais tarde, com a fundação da Igreja pelo divino Salvador, quis-se valorizar e honrar desde o princípio o canto sagrado; que, São Paulo expressa às comunidades tanto de Éfeso quanto de Colossos como atos de honrar e louvar ao Pai no nome de Jesus Cristo (cf. Ef 5,18s; Col 3,16).
 
Após a idade apostólica, no governo do imperador Trajano (98-117 d.C), Plínio, procônsul do governo da Bitínia escrevera em suas epístolas ao mesmo afirmando que haviam pessoas que se reuniam em certo dia antes do nascer do sol para entoar alternadamente entre os presentes, um hino em honra de Jesus Cristo (cf. Plínio, Epíst. X 96 e 97); o que Tertuliano mais tarde, também descrevera acerca dos mesmos que, em suas assembleias se reuniam para ler as escrituras, cantar salmos e promover a catequese (cf. Tertuliano, De anima).
 
Com o decurso do tempo, e sob o pontificado de Gregório Magno, o monofônico cantochão, em que todos cantavam em mesmo tom e altura, foi por muito tempo a forma oficial de se cantar a liturgia. Mais tarde, permitiu-se a utilização do Grande Órgão, que conferira novo vigor ao canto; e, não demorou para que a polifonia ganhasse por sua beleza e decoro, privilegiado lugar nas cerimônias por suas possibilidades sonoras que abrilhantavam o culto e o louvor a Deus.
 
A finalidade da música sacra é preparar uma digna sede (ambiente) para os ritos divinos, ocupando assim, importante lugar no próprio desenvolvimento das cerimônias e ritos sagrados; por isso que, a Igreja deve diligentemente remover da música tudo o que destoa do culto divino e que impede os fieis a elevarem suas mentes a Deus. Pois, por meio de belíssimas harmonias e magnificência, a música sagrada traz decoro e ornamento tanto para a voz do sacerdote ofertante, quanto para a do povo cristão, para que Deus Uno e Trino seja louvado e invocado com mais intensidade e fervor. Assim, a Igreja, por obra dos sagrados acordes da música sagrada aumenta a honra e a dignidade dos ritos que influenciam a conduta de vida dignamente cristã. Pois, com voz límpida, modulações apropriadas e acompanhadas também pela voz humana, eleva-se a piedade e desejo de renovação que as sagradas letras garantem a todos.  
 
Sua importância é tanto maior quanto mais se aproxima e se relaciona com o ato supremo do culto eucarístico do altar. Portanto, ela precisa acompanhar suavemente com seus sons a voz do Presbítero, que oferece a vítima divina do que fazer um show apoteótico com vistas a alegrar o povo e abarcar seus sentimentos frustrados pelos problemas cotidianos. O culto eucarístico deve ser esplêndido! Daí a necessidade dos sagrados acordes, das sagradas vozes que pelas sagradas letras e sagrada Tradição exercem excelso serviço ao ato litúrgico.
 
As mesmas também acompanham com suas belezas ímpares outras cerimônias litúrgicas também importantes como a recitação dos salmos da liturgia das horas, para a santificação do tempo. Por isso, merecem Sumas honras e louvores! Àqueles que as executam tanto por meio da voz quanto por meio de instrumentos musicais, sem dúvida exercem verdadeiro e real apostolado; e por isso receberão de Cristo Jesus as recompensas e as honras reservadas aos apóstolos à medida que desempenharem fielmente seu ministério.
 
Imagem: Igreja Açores

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Sobre o Autor


Diácono Carlos Araki

O Diácono Carlos exerce seu ministério na Paróquia Santa Ana e São Joaquim, em Barretos. E-mail: arakicarlos7@gmail.com

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