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Anunciadores da Paz


Domingo, 07 de julho de 2019


Imagem | Anunciadores da Paz

A Palavra de Deus que ouvimos neste final de semana, em nossas celebrações dominicais, nos apresenta  uma amostra do que Ele espera dos que se tornam seus discípulos e discípulas. Jesus chama os discípulos para enviá-los numa tarefa missionária.
 
O evangelista São Lucas nos diz que Jesus escolhera “setenta e dois discípulos”. Não é por acaso esta escolha, ela tem um significado simbólico importante. No tempo em que ele escreveu o seu evangelho acreditava-se que havia setenta e duas nações no face da terra. Ao escolher setenta e dois discípulos Jesus demonstra que a sua mensagem não se destina a um grupo, a uma raça, ou aos membros de um povo, mas ao contrário se destina a todas as nações, a todos os povos.
 
Ele os envia “dois a dois, na sua frente a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir”.  “Dois a dois” indica que a missão que Jesus confia aos discípulos não pode se realizar sozinho e isolado, mas sempre em  comunidade. A missão só produz efeito quando nós superamos a tentação do isolamento. Pode ser que as coisas não caminhem no ritmo que desejamos, mas os seus frutos serão duradouros quando a realizamos na comunhão com os irmãos.
 
Jesus adverte que “ a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Tenhamos consciência de que em proporção aos desafios e as realidades que nos aguardam, os nossos esforços e recursos são sempre insuficientes. Daí a exortação de Jesus para  pedir ao Senhor da messe que envie operários a sua messe. É Deus quem dá o crescimento, embora seja um aquele que planta e outro o que rega(cf. 1Cor 3,7).
 
Jesus compara os seus discípulos às ovelhas no meio dos lobos (Lc 10,3); ou seja, Jesus os adverte para que estejam sempre atentos para não adotarem os sentimentos próprio dos lobos: a raiva, a ganância, o ressentimento, a vontade de dominar e corromper os outros. Ao contrário, como cordeiros não precisam se preocupar com o que levar, vestir, calçar.
 
Para poder impor-se um partido político precisa de recursos poderosos: dinheiro, armas, apoio de pessoas influentes. Jesus exige que os seus pregadores se apresentem ao mundo despojados de tudo: sem dinheiro, sem apoios políticos ou econômicos.
 
É importante observar que trata-se de dirigir-se às casas: “Em cada casa em que entrardes...” (10,5); e que a mensagem que se anuncia é sempre: “A paz esteja nesta casa!”. O que de mais precioso existe neste mundo,  é poder gozar da paz.
 
Esta é a única garantia que Jesus dá aos discípulos. Ele não promete riquezas, saúde, bem estar, conforto. Não! Ele promete a paz. A paz que pode constatar de tudo isso, mas vai muito mais além. A paz é sinônimo de vida feliz.
 
Por isso infeliz quem rejeita o anúncio do Evangelho; quem se fecha diante da graça que o mensageiro leva consigo.  Condena-se a viver uma vida fútil, vazia, desprovida de alegria duradoura, sempre necessitada de compensações e cheia de dependências. Tem a mesma  sorte dos pagãos que desprezam a promessa de felicidade que Deus fizera pelos profetas no passado, e agora pelos apóstolos de seu Filho e dos seus discípulos.
 

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Sobre o Autor


Dom Milton Kenan Junior

Dom Milton é o 6º bispo da Diocese de Barretos. E-mail: dommilton@diocesedebarretos.com.br

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