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Circular de novembro de 2021 de Dom Milton


Domingo, 07 de novembro de 2021


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Barretos, 07 de novembro de 2021
 
 
Circular 11/2021
 
Prezados (as) irmãos (ãs),
 
 
Dando continuidade às nossas reflexões sobre a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” (A Alegria do Amor) do Papa Francisco, quero neste mês começar a tratar do capítulo oitavo, onde o Papa se refere às famílias que se constituem em situações que não correspondem ao que a Palavra de Deus prevê, em razão de uma união ilícita ou em condições que não permitem ser reconhecida legítima pela Igreja.
 
Não são poucos os casais que hoje coabitam sem o sacramento do matrimônio, ou também os casais em segunda união, depois de várias “tentativas” fracassadas, como o crescente número de divórcios entre casais de pequeno tempo de vida conjugal.
 
Quando estas questões surgiram na Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, em 2014, que tratou dos desafios enfrentados pela família em nosso tempo, os padres referiam-se assim a estas famílias: a Igreja “dirige-se com amor àqueles que participam na sua vida de modo incompleto, reconhecendo que a graça de Deus também atua nas suas vidas, dando-lhes a coragem para fazer o bem, cuidar com amor um do outro e estar ao serviço da comunidade onde vivem e trabalham”.
 
Diziam também que a “Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, com atenção e solicitude, dando-lhes de novo a confiança e esperança, como a luz do farol dum porto ou duma rocha acesa no meio do povo para iluminar aqueles que perderam a rota ou estão no meio da tempestade” (AA 291).
 
Em relação às famílias nestas condições, a atitude da parte dos pastores, como afirma o Papa na Exortação, deve ser de discernimento pastoral e ao mesmo tempo de diálogo pastoral, para ajudá-las a ter uma maior abertura ao Evangelho do matrimônio na sua plenitude.
 
Trata-se de enfrentar todas estas situações de forma construtiva, procurando transformá-las em oportunidades de caminho para a plenitude do matrimônio e da família à luz do Evangelho. Trata-se de acolhê-las e acompanhá-las com paciência e delicadeza. (cf. AA 294).
 
Sobre o discernimento, Francisco chama a atenção para o fato de que existem duas posturas diante destas situações mais difíceis: marginalizar e reintegrar. Para permanecer fiel ao Evangelho, o critério deve ser sempre aquele adotado já no Concílio de Jerusalém: o caminho da misericórdia e da integração. Diz o Papa: “O caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com o coração sincero ...”
 
Para isso é indispensável manter o diálogo, acolher, ouvir, oferecer oportunidades para descobrir novas perspectivas a respeito do matrimônio, e não permitir que casais se privem do sacramento do matrimônio por falta de condições financeiras ou por não serem orientadas para o seu verdadeiro significado.
 
Neste aspecto há de se levar em conta as circunstâncias que vivem estes casais, para que lhes seja dada uma ajuda adequada; por exemplo, é diferente a realidade vivida por casais numa segunda união consolidada por vários anos, com fidelidade comprovada, o surgimento de novos filhos, dedicação generosa, compromisso cristão, daquela união que vem de um divórcio recente, com todas as consequências de sofrimento e confusão que afetam filhos e famílias inteiras; ou também dos que não conseguem manter-se fiéis aos compromissos familiares.
 
Uma vez que o caminho da Igreja deve ser sempre o da integração, esses casais poderão integrar-se na vida da comunidade de várias maneiras possíveis, evitando todas as ocasiões de escândalo. Poderão integrar-se assumindo, na vida da Igreja, os diversos serviços eclesiais. Jamais deveriam sentir-se excomungados, mas, ao contrário, devem ser acolhidos pela comunidade, para poderem viver e amadurecer como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os recebe sempre, que cuida deles com carinho e os anima no caminho da vida e do Evangelho. (AA 299).
 
A reintegração aqui não vem compreendida como uma acolhida fugaz, nem como legitimação de uma realidade que não corresponde ao que o Evangelho propõe; ao contrário, apenas mostra interesse pela vida destes casais, pelas reais motivações que eles possuem, pelo caminho percorrido e pelos obstáculos enfrentados que os torna distantes da vida da comunidade, ou então discriminados por esta.
 
A reintegração, portanto, exige capacidade de enfrentar todas estas situações de forma positiva, construtiva, procurando transformá-las em oportunidades de caminho para a plenitude do matrimônio e da família à luz do Evangelho. Trata-se de agir como Jesus fez com a samaritana (cf. Jo 4, 1-26): dirigiu uma palavra ao seu desejo de amor verdadeiro, para a libertar de tudo o que obscurecia a sua vida e guiá-la para a alegria plena do Evangelho.
 
Uma primeira palavra a guardar, a partir desta reflexão sobre o capítulo oitavo da Exortação “Amoris Laetitia”, é acolher, escutar, para poder integrar.
 
Nesta perspectiva, caminhando agora para a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos de 2023, cujo tema é “Sinodalidade: comunhão, participação e missão” será importante nos interrogarmos se nossas atitudes na vida da Igreja demonstram de fato esta preocupação por acolher e reintegrar; ou ao contrário afastam e marginalizam os seus membros mais frágeis, aqueles que mais necessitariam do nosso cuidado e interesse.
 
Evidentemente que integrar e acolher é sempre correr um risco. O risco do esforço inútil, da chance desperdiçada, da frustração das expectativas; mas não são os riscos que devem condicionar nossas ações, mas as possibilidades que elas oferecem!
 
Não deixem que nos roubem a esperança por ver inseridos, em nossas comunidades, pessoas e casais feridos, cuja presença pode enriquecer nossas igrejas e enriquecer as nossas vidas também.
 
 
Dom Milton Kenan Junior
Bispo Diocesano de Barretos
 
 
 
CALENDÁRIO EPISCOPAL - Novembro 2021
 
           
02 – Santa Missa, no Cemitério Municipal de Barretos, às 9h.
 
03 – Reunião da Província Eclesiástica, em Ribeirão Preto, às 10h
 
      Santa Missa com Crismas, na Igreja Matriz de S. Sebastião, em Guaíra, às 19h.
 
04 – Reunião do Conselho Diocesano para Assuntos Econômicos, na Cúria Diocesana, às 14h30
 
05 – Abertura da Jornada Mundial da Juventude, com Santa Missa e Show com Frei Gilson, no Recinto Paulo de Lima Corrêa, em Barretos, às 19h
 
6 – Rosário da Madrugada com Frei Gilson, no Santuário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Barretos, às 4h.
 
       Encontro com Agentes da Pastoral Familiar Diocesana que acompanham preparação de noivos nas suas respectivas paróquias, na Cúria Diocesana, às 14h
 
08 a 12 – Retiro Espiritual para o Clero da Diocese de Luziânia, em Anápolis-GO.
 
13 - Santa Missa com crismas, na Igreja Matriz de S. Benedito, em Barretos, às 19h30
 
15 – Início do Retiro do Clero Diocesano de Barretos, na Casa de Encontros Dom Antônio M. Mucciolo, na cidade de Maria, às 19h
 
16 – Retiro do Clero Diocesano de Barretos, na Cidade de Maria
 
17 – Encerramento do Retiro do Clero Diocesano de Barretos, na Cidade de Maria, em Barretos, às 12h
 
18 – Encontro da Comissão do Regional Sul 1 para a Animação Bíblica da Pastoral, na Casa de Encontros Dom Antônio M. Mucciolo, na cidade de Maria, a partir das 12h
 
19 – Encerramento do Encontro da Comissão Regional para a Animação Bíblica da Pastoral na cidade de Maria, às 12h
 
       Santa Missa com crismas na Igreja Matriz do Bom Jesus em Barretos, às 19h30
 
20 – Santa Missa com Crismas na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, em Guaraci, às 19h30.
 
21 a 28 – ASSEMBLEIA ECLESIAL DA AMERICA LATINA (participação remota)
 
 

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Sobre o Autor


Dom Milton Kenan Junior

Dom Milton é o 6º bispo da Diocese de Barretos. E-mail: dommilton@diocesedebarretos.com.br

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