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Desafios da relação fraterna


Sexta-feira, 12 de julho de 2019


Imagem | Desafios da relação fraterna

Dentre as muitas relações estabelecidas pelo ser humano nenhuma apresenta mais e maiores contradições que as relações interpessoais ao mesmo tempo em que, nenhuma evidencia, com mais clareza, elementos exclusivos da natureza humana. Relações entre pessoas promovem, simultaneamente, encantos e desafios. Constata esta verdade o crescente investimento das mais diversas organizações, das empresarias às religiosas, por encontrar e disponibilizar alternativas que favoreçam as pessoas relacionarem-se saudavelmente.
 
Dentre as relações interpessoais uma categoria específica desperta atenção: as relações fraternais. Considere-se irmãos não apenas os que possuem vínculos biológicos, mas também, aqueles que irmanam-se por comungar de princípios e referências que exigem relações próximas como as de uma fraternidade, religião, comunidade, clube de serviço etc.
O desafio da fraternidade revela-se intenso, sobretudo, quando necessário corrigir e ser corrigido. Muito embora entre irmãos a correção fraterna não devesse ser problema, os transtornos provocados por este movimento mereceram de Jesus atenção especial.No Evangelho Segundo Mateus, Ele aborda a questão: ‘Se teu irmão pecar contra ti’ fale a sós com ele; chame uma testemunha para resolver a questão; expondo à situação a Igreja (Mateus 18,15-20). O caminho apresentado tem como intenção maior não perder o irmão.
 
Sobre as dificuldades a respeito da fraternidade vale considerar que, muito embora, filhos e irmãos sejam fruto do mesmo amor, do mesmo ventre, do mesmo coração, cada filho pensa merecer, exclusivamente, o amor dos pais. Quando os pais não estão maduros suficientemente para deixar claro a cada filho e a todos os filhos que ele é capaz de amar a todos e cada um, na medida de suas necessidades, geram-se muitos e grandes problemas que, quando não superados de forma saudável inspiram terríveis sentimentos que se desdobrarão em terríveis atitudes e comportamentos, os maiores deles: ciúme, inveja e rivalidade.
 
Desconsideramos, em geral, que os frutos de relações fraternais doentias ultrapassam os limites da infância, adolescência e juventude, arrastando-se por toda a vida, adquirindo, em cada momento tons, sintomas e razões adaptados e/ou disfarçados que, para além das relações fraternais, contaminam a vida familiar, social, profissional, amizades, práticas religiosas e tudo mais.
 
Aumentam, cada vez mais, as dificuldades em lidar com filhos, irmãos, amigos, equipes, fiéis e tudo o que envolve vínculos fraternais saudáveis. É preciso reorientar o caminho e resgatar a beleza única da fraternidade que faz das pessoas seres consoladores, protetores, modelos, incentivos, aliados leais e grandes amigos. É preciso compreender que ‘não sou eu mesmo’ sem o outro que, também, ‘não é ele mesmo sem eu’. A fraternidade, em seus diversos níveis, é um dos princípios para alcançar a tão sonhada felicidade.
 

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Sobre o Autor


Padre Ivanaldo Gonçalves de Mendonça

Pe. Ivanaldo e pós-graduado em Psicologia, pároco da Paróquia São José de Olímpia e Coordenador Diocesano de Pastoral. E-mail: ivanpsicol@hotmail.com

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