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Não plante espinhos no caminho, na volta você pode estar descalço


Terça-feira, 12 de março de 2019


Imagem | Não plante espinhos no caminho, na volta você pode estar descalço

Muitos chamam de “a lei do retorno”, mas eu diria se tratar apenas da consequência daquilo que fazemos: colhemos aquilo que plantamos. É verdade que podemos entender a vida como um grande campo a ser semeado, cujas sementes são nossas próprias atitudes, o modo como lidamos com pessoas e coisas. E neste vasto campo da vida, temos um tempo para tudo: cultivar, semear, cuidar e colher, e disso nunca devemos nos esquecer: chegará o dia de colher!
 
Metaforicamente é um jeito de dizer que quando passamos pelo mundo fazendo bem, colhemos o bem e que o inverso também é verdadeiro. Ninguém é tão absoluto e autossuficiente a ponto de nunca precisar do outro, todos somos dependentes uns dos outros e, portanto, nunca deveríamos achar que somos melhores que ninguém.
 
Acredito que muitos de nós conhecemos algum exemplo disso, a prova de que o mundo dá voltas como diz o ditado popular. Muitos ainda, assim como eu, já vivenciaram alguma situação em que puderam comprovar o famoso “aqui se faz, aqui se paga”. Penso ser esta a regra de ouro da sabedoria popular que nos remete a um princípio cristão: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles” (Lc 6, 31). Nele está implícita a cláusula oposta: o que não desejais que os outros vos façam, não façais também vós a eles.
 
Portanto, se tomarmos consciência de que os nossos pés nem sempre estarão calçados e os nossos caminhos são circulares, começaremos a nos preocupar com as sementes que temos semeado. Poderíamos começar nos perguntando: tenho demonstrado amor, carinho, respeito e compreensão para com minha família? No meu trabalho, tenho sido responsável, honesto, comprometido e amigo? Ou será que na frente do chefe sou uma pessoa e pelas costas dele, outra? Ou ainda, sou invejoso e não perco uma oportunidade de prejudicar o outro com fofocas e mentiras? E assim poderíamos nos avaliar em todas as dimensões da nossa vida, inclusive a religiosa, e esta merece uma atenção maior.
 
Muitos, infelizmente, fazem da fé e da religião uma máscara para esconder o seu verdadeiro caráter. Imprimem uma imagem de si que, olhada grosso modo, convence. No entanto, quando vista de perto, enxerga-se o oposto. Talvez sejam estes os mais perigosos, pois são capazes de enganar e convencer a muitos de que são pessoas boas, quando na verdade, são premeditadas e aguardam o momento certo para dar o “bote” e, assim, revelam-se quem realmente são.
 
Fato é que, mais cedo ou mais tarde, os frutos daquilo que semeamos amadurecem e deverão ser colhidos, aí então vamos tomar consciência da proporção daquilo que plantamos, se poderemos passar pela lavoura da vida de pés descalços ou não.
 
Não quero parecer moralista, não tenho essa pretensão, inclusive me proponho sempre a pensar a respeito de tudo isso. O que desejo é despertar para a importância de ser bom e fazer o bem e de que nada passará despercebido ou impune.
 

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Sobre o Autor


Pe. Fernando Felix Rabelo

Pe. Fernando Felix Rabelo é administrador da Quase Paróquia Santo Expedito e São Judas Tadeu em Olímpia. E-mail: pefernandorabelo@outlook.com

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