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O quanto somos injustos


Segunda-feira, 28 de outubro de 2019


Imagem | O quanto somos injustos

Jesus terminava o evangelho da Liturgia da Palavra domingo retrasado (20), com estas palavras: “Será que ao voltar o Filho do homem ainda vai encontrar fé a sobre a terra?”. Lembramos que rezamos, pedimos, e fazemos promessa que depois não cumprimos, mas isto é ter fé?
 
A Palavra de Deus nos advertia que a nossa oração, muitas vezes, não vale nada porque o bicho diabólico do egoísmo a esvaziou. Lembramos dos nossos interesses ou dos problemas de alguma pessoa amiga, porém, pedir para que nós sejamos sempre cumpridores dos nossos deveres para com Deus e justos no relacionamento com os nossos irmãos, nem pensamos. Diante da maior injustiça, na qual todos nós participamos que é a  destruição da natureza, com a qual destruímos a obra do Criador e causamos tantos sofrimentos a todos, e diante desta triste realidade, nós nos justificamos dizendo: “Sempre foi assim!”.
 
A Palavra de Deus do domingo passado (27), continua alertando-nos sobre o mesmo perigo. O livro do Eclesiástico (35,15-22) afirma: “O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos, jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve aos seus como Ele o quer será bem acolhido, e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa até as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento”. O mesmo egoísmo que mata o nosso relacionamento com Deus prejudica a nossa convivência com os irmãos e nos leva à prática de toda classe de injustiças.
 
No evangelho de São Lucas (18,9-14), Jesus resume numa parábola toda esta triste realidade dizendo: ”Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de toda a minha renda'. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito dizendo: 'Meu Deus, tem pena de mim, que sou pecador!'. Eu vos digo, este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado e quem se  humilha será elevado”.    
       
Desta forma, Deus nos alerta sobre o porquê muitas vezes dá-nos a impressão que Ele não quer atender as nossas súplicas. Jesus já tinha nos advertido “que não somos atendidos porque pedimos mal”. Quando as nossas súplicas são humildes e em favor dos que realmente precisam sempre somos atendidos. Ele não atende quando as nossas preces são marcadas pelo orgulho ou pelo egoísmo porque estas estão com as marcas do pecado.
 
Quando Jesus ensinou-nos a rezar a oração do Pai Nosso, Ele não nos ensinou a pedir nada para nós, a não ser a ajuda para fazer sempre a sua vontade e trabalhar para que  não falte o necessário a ninguém; para que possamos dizer como São Paulo na segunda carta a Timóteo (4,6-18) “caríssimo, quanto a mim já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento da minha partida. Combati o bom combate, completei a minha carreira, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa”. 
 

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Sobre o Autor


Monsenhor Antonio Santcliments Torras

Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia
 

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