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Os maus não são bons porque os bons não são melhores


Terça-feira, 11 de setembro de 2018


Imagem | Os maus não são bons porque os bons não são melhores

Parece-nos oportuno hoje, talvez mais do que ontem, recordar e repropor o bem como um dos meios, o único ou mais eficaz, para transformar as realidades de violência e morte presentes em nosso tempo e em quase todos os ambientes. Todos temos uma opinião sobre as causas de tanta barbárie e alguns ousam ir além e até sugerir meios para frear o avanço do mal no mundo, mas sabemos que não é tão simples.
 
Atribui-se a Santo Agostinho a frase que diz: “os maus não são bons porque os bons não são melhores”; causa-nos certo incômodo estas palavras – oxalá que realmente causem – penso que a grande chamada que elas nos fazem é para que assumamos a responsabilidade por tudo que acontece ao nosso redor. Não basta que sejamos bons, é preciso fazer o bem, propagar o quanto o bem é necessário e testemunhar que ele é possível.
 
Enquanto insistirmos em terceirizarmos ou institucionalizarmos a responsabilidade pela construção de um futuro mais justo, humano, fraterno e igualitário, iremos padecer diante da violência, opressão, exclusão e injustiça. É preciso preencher de bondade todos os ambientes onde nos encontrarmos e assim seremos aurora de um novo tempo de paz e tranquilidade. O que vemos, infelizmente vai na contramão dessa proposta; as pessoas estão cada vez mais agressivas e menos pacientes, estão sempre prontas a responder e a reagir com grosserias e todos se acham no direito de dizer o que pensam sem se dar conta do alcance e das consequências de suas palavras e ações.
 
As armas do bem nunca foram e não serão também agora, as mesmas do mal. Não é reagindo de forma agressiva ou incitando a cólera que se vai instaurar a paz e a segurança, nem tão pouco dispondo de forma livre de instrumentos de morte. Distribuamos flores, perfumes, poesias, educação, arte, beleza, melodias, amor, assim seremos melhores e viveremos melhor.
 
Se estamos de fato convictos de que o bem é uma saída, precisamos convencer os demais para que se juntem à nossa causa e não há outro meio senão pelo exemplo. Quando transparecer em nossas atitudes que somos melhores e mais felizes por ser bons e praticar o bem, aí sim chamaremos a atenção e, quem sabe, promoveremos uma mudança. Mas não será apenas pelo discurso, nem pelo moralismo, nem pela condenação, mas pelo respeito e pela alegria.
 
Que o bem deixe de ser uma utopia e seja uma constante em nossa vida, no cotidiano de nossas ações, nos pequenos gestos e como fermento que leveda a massa, possa realizar em nossos ambientes aquele sonho de vida e sociedade que existe no mais íntimo do coração de nosso Deus Pai e Criador. Ele nos convida sempre a uma conversão pessoal e social concretas e a nos colocarmos como sentinelas do amor e da paz que Ele mesmo semeou entre nós. Jamais nos sucumbamos às forças do mal nem legitimemos os seus instrumentos.
 

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Sobre o Autor


Diácono Fernando Felix Rabelo

O Diácono Fernando foi ordenado no dia 06 de abril de 2017 e é cooperador nas paróquias São João Batista e Nossa Senhora Aparecida de Olímpia. E-mail: fernandofelix_@hotmail.com

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