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Domingo, 07 de fevereiro de 2021

Missa marca a abertura do Centenário da Paróquia Senhor Bom Jesus de Guaraci

Foto | Missa marca a abertura do Centenário da Paróquia Senhor Bom Jesus de Guaraci
No dia 31 de janeiro, a Paróquia Senhor Bom Jesus da cidade de Guaraci realizou a Missa de Abertura do Centenário Paroquial. Na oportunidade houve o envio do jovem Ítalo Mulato ao Seminário Propedêutico Nossa Senhora Rainha da Paz, em São José do Rio Preto.
 
Após o Rito da Comunhão, o pároco, padre Hamilton Baltazar, apresentou a Oração Jubilar escrita pelo padre Ronaldo José Miguel, vice-reitor do Seminário em São José do Rio Preto. A explicação teologia da oração foi lida pelo seminarista Daniel Canevarollo.
 
Foi lançada o logotipo comemorativo dos 100 anos criado pelo seminarista Matheus Silva, estudante do segundo ano de teologia que explicou o sentido teológico e gráfico da marca.
 
Padre Hamilton, em sua homilia, destacou a importância do centenário em tempo difíceis como a pandemia. “Celebrar esta data jubilar deve inundar nosso coração de uma santa alegria, pois cada um dos filhos desta paróquia fazem parte e são responsáveis pelo agir evangelizador de Deus durante estes 100 anos. O envio do jovem Ítalo ao seminário é a certeza de que o Espirito Santo continua a agir em nosso tempo, chamando e capacitando”, disse.
 
Participaram da celebração o padre Flávio Aparecido Pereira, primeiro sacerdote filho da comunidade, o diácono Mário Lúcio e os seminaristas Daniel Canevarollo, Leonardo Santana e Matheus Silva.
 
A Eucaristia foi celebrada respeitando todas as medidas de segurança contra o novo coronavírus. Outras atividades para comemorar o ano serão realizadas durante o ano.
 
ORAÇÃO EM PREPARAÇÃO AO JUBILEU CENTENÁRIO DA PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS DE GUARACI-SP
 
Ó Deus,
nosso Pai e Criador,
que desde o princípio
iluminais a nossa comunidade
com a luz de vosso amado Filho,
o Senhor Bom Jesus.
 
Nós vos bendizemos
pela infinita misericórdia
que o vosso Filho Redentor
concede constantemente
a estes vossos filhos e filhas
desta cidade de Guaraci.
 
Ao celebrarmos
o centenário paroquial,
vos suplicamos:
fazei “brilhar o Sol nascente”
que deu a “origem deste dia” jubilar,
sobre esta vossa Igreja
que peregrina rumo à pátria celeste.
 
Neste ano de São José,
rogamos a sua santa intercessão
e a de Maria, Mãe da Igreja,
para que não nos faltem vocações cristãs
comprometidas com a edificação do vosso Reino
e a santificação desta comunidade,
através da luz e dos dons
do vosso Santo Espírito.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém!
 
TEOLOGIA DA ORAÇÃO
 
A oração contempla, em seus 4 parágrafos, a estrutura trinitária da forma eucológica (louvor) em que a Igreja compõe e estrutura as suas orações litúrgicas:
 
1. Deus Pai: a primeira pessoa divina é, inicialmente, mencionada na sua paternidade universal e como o criador de todas as coisas. Como Pai e Criador, é da sua vontade divina que tudo quanto acontece tenha seu dedo. É através da sua Palavra, o Verbo encarnado, o seu Filho Jesus Cristo, que o Pai cria todas as coisas, trazendo-as das trevas à luz. É por meio do “Senhor Bom Jesus” que o Pai iluminou a consciência do barretense Francisco Pedro de Oliveira, para que em meados de 1910 fosse edificada a primeira obra da futura paróquia e cidade de Guaraci: a Igreja matriz dedicada ao Senhor Bom Jesus, iniciada em 1913. Parafraseando o início do livro do Gênesis, podemos dizer que “No princípio Deus criou a sua morada numa terra deserta e vazia; e havia trevas sobre a face daquele terreno, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas do rio grande. Deus disse: haja luz. E houve luz. [...] ...primeiro dia.” Portanto, tudo começou com a edificação do templo, a morada de Deus entre os homens. É por isso que a Paróquia do Senhor Bom Jesus, erigida em 21 de julho de 1921, antecede longamente da fundação da cidade de Guaraci, em 30 de novembro de 1944; 23 anos após a criação da paróquia que celebrará os seus 100 anos enquanto o município celebra os seus 76 anos.
 
2. Deus Filho: a segunda pessoa divina ocupa o centro da oração e está presente em todos os seus parágrafos, por um motivo elementar: Ele é o patrono da comunidade do “Senhor Bom Jesus” e tudo começa com a construção de uma Igreja de tijolos e de gente. Enquanto são erguidas as paredes da morada de Deus entre os homens, simultaneamente é constituído o corpo místico de Jesus Cristo, através da evangelização e o batismo dos concidadãos, nascidos na luz divina daquele que é o “Bom Jesus”. Ele é o “Sol nascente” (Benedictus) que bondosamente e desde o início brilha todas as manhãs sobre essa cidade de Guaraci, a cidade “Sol”, segundo a mitologia tupi-guarani. Significando “sol” no idioma tupi, a palavra “guaraci” vem da junção dos termos kó, ‘ara e sy, que, juntos, significam “origem deste dia”. Ora, a origem deste dia em que tudo começou e que celebramos jubilosamente o seu centenário é aquele “Sol nascente para iluminar a quantos jazem entre as trevas” (Benedictus) e que brilha todos os dias sobre esta cidade, irradiando a misericórdia e a redenção do “Senhor Bom Jesus”, pela obra de sua cruz e ressurreição. Se no amor Deus cria todas as coisas, inclusive esta cidade, na sua misericórdia ele restaura a cada dia aqueles que se deixaram levar pelas trevas do pecado, ofuscado a Luz desta cidade. É por estes motivos que a segunda estrofe inicia com um louvor à “infinita misericórdia” que ilumina essa cidade e prossegue no parágrafo seguinte com uma súplica, pedindo que nunca lhe falte a luz do “Sol da nascente”, o Senhor Bom Jesus, até que um dia cheguemos ao fim da nossa peregrinação terrestre ao habitarmos na “Jerusalém do alto”, a morada eterna.
 
3. Deus Espírito Santo: a terceira pessoa divina aparece explicitamente no quarto e último parágrafo e recorda o nascimento da Igreja em Pentecostes. Também, na Profissão de fé, a Igreja aparece como um prolongamento de tudo o quanto é professado no artigo referente à terceira pessoa divina, o Espírito Santo. Isto é, o que se diz do Espírito prolonga-se no que se diz sobre a Igreja que é por Ele conduzida através dos tempos, qual Igreja jubilar. Um terceiro motivo está no fato de que o Espírito Santo é o patrono da Igreja Diocesana de Barretos, à qual a Paróquia do “Senhor Bom Jesus” é membro, e que celebrará os seus 50 anos em 14 de abril de 2023. Do Deus Pai da criação no início do primeiro parágrafo e do Deus Filho e Redentor, o “Senhor Bom Jesus” e “Sol nascente” que entremeia, conclui-se com o Deus Espírito Santo e seus dons que agraciam e adornam esta Igreja jubilar, tornando-a santificada.  Por fim, a oração inicia o seu último parágrafo mencionando São José, patrono da Igreja universal, o qual é atualmente reverenciado no “Ano de São José”, de 8 de dezembro de 2020 a 8 de dezembro de 2021, durante este centenário. Sob a intercessão de São José, Pai da Igreja, e de Maria, Mãe da Igreja, a oração conclui rogando-lhes santas vocações cristãs, a fim de que celebrando o seu centenário, nunca falte nesta comunidade paroquial os filhos e filhas de Deus vocacionados à sua edificação e iluminados pela glória divina como testemunhas visíveis do seu reino.
 
EXPLICAÇÃO DA MARCA DOS 100 ANOS DA PARÓQUIA SENHOR BOM JESUS GUARACI – SP
 
Por Sem. Matheus Silva
 
“Tiraram-lhe a roupa e o vestiram com um manto vermelho;
depois trançaram uma coroa de espinhos,
puseram-na em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita”.
Mt 27, 28-29
 
A presente marca foi criada sob a moção do Evangelho de São Mateus 27, 28-29 (capítulo vinte e sete, versículos vinte e oito e vinte e nove), cujo texto relata o momento do despejamento de Jesus e sua coração de espinhos. A marca é para chancelar o centenário da Paróquia Senhor Bom Jesus de Guaraci (SP), que pertence a Diocese de Barretos trazendo em si elementos que remetem ao seu padroeiro, além de símbolo gráfico que exprimem a arquitetura da igreja e sinais da cidade.
 
A devoção ao Senhor Bom Jesus é voltado ao mistério da sua Paixão e Morte, destacando o aspecto da representação vivenciada do próprio drama do Calvário. Partindo de tal primícia, um elemento em destaque na marca é a COROA DE ESPINHOS que representa a sua coroação e flagelação. Além disso, ela tem sua forma circular simbolizando a eternidade de Deus que não possui início nem fim; além de significar a continuidade da vida e a esperança da ressurreição.
 
A TORRE DA IGREJA, cujo desenho está vazado e sem pintura, indica a história que Deus foi desenvolvendo ao longo desses 100 anos e continuará a fazer. Ela representa o numeral um (1) que se complemente com os dois zeros (0) formando o número 100, data jubilar. Além disso, a torre da igreja aponta sempre para o alto, nos mostrando que nossa meta é a Jerusalém Celeste, e que Cristo, nosso centro, está a abraçar a cidade de Guaraci, visto que ela pode ser observada pelos quatro cantos do município (norte, sul, leste e oeste). Mais uma vez, nos recorda que Jesus é Senhor do tempo e do espaço.
 
Os NUMERAIS ZERO (0), são formados em forma de arcos quebrado ou arcos em ogiva. Tais arcos são elementos geométricos característicos da arquitetura gótica e fazem menção a arquitetura da igreja paroquial que traz consigo interna e externamente inúmeros deles. Os arcos tratam-se de uma estrutura com dois elementos instáveis (pois cada arco tende a cair em uma direção diferente) que, ao se oporem, fortalecem-se, o que nos relembra que a graça de Deus é quem sustenta a vida paroquial, mesmo diante das dificuldades e desafios encontrados.
 
As ONDAS DE ÁGUA nos remete às águas batismais. A Igreja invoca a ação do Espírito sobre a água “a fim de que, aqueles que nela receberem o Batismo, sejam sepultados com Cristo na morte e, com Ele, ressuscitem para a vida imortal” (Rito do Batismo das crianças, n. 60). É na fonte batismal que “nasce para o céu um povo de nobre estirpe [...] e a Mãe Igreja gera, com fértil virgindade, aqueles que coloca no mundo sob a ação do Espírito Santo” (Batistério Lateranense). Além disso, as ondas mencionam o Rio Grande, visto que Guaraci é um município brasileiro do Estado de São Paulo que se localiza às suas margens.
 
Por fim, e não menos importe, é a TIPOGRAFIA utilizada na descrição da palavra ‘anos’ e as datas. Da família tipográfica Euphoria Script, cuja tradução literal significa roteiro euforia, nos lembra que há no serviço da Igreja, corpo místico de Cristo, uma santa euforia, um alegria que inunde todo cristão e nos faz caminhar e escrever o “roteiro” da ação divina por todos os tempos.
 
O núcleo inicial que deu origem à cidade de Guaraci surgiu por volta do início do século XX, a partir da doação de um patrimônio religioso em glebas de terra próximas ao Rio Grande. A Igreja de Guaraci é, sem dúvida, a mãe da cidade, cujo tempo de vida ultrapassa a do município, e isso só faz ecoar ainda mais que “a Igreja é também chamada ‘Jerusalém do Alto’ e ‘nossa mãe’". (CIC § 757). Sem dúvida, nesses 100 anos, a comunidade paroquial do Senhor Bom Jesus de Guaraci tem feito valer que a “a Igreja é, ao mesmo tempo, visível e espiritual, sociedade hierárquica e Corpo Místico de Cristo. É una, mas formada por um duplo elemento: humano e divino. Aí reside o seu mistério, que só a fé pode acolher”. (CIC § 779)
 

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