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Artigo do Pe. Ivanaldo: Ser humilde


Sábado, 11 de julho de 2020


Imagem | Artigo do Pe. Ivanaldo: Ser humilde

Diante de uma linda paisagem a sensação de leveza toma posse do nosso ser. Maravilha-nos a singeleza e riqueza de detalhes de um jardim: beleza, raridade das espécies, riqueza de detalhes, perfume... Encanta-nos o exemplar de uma árvore que com seus galhos abraça-nos, com sua sombra refresca-nos, com seu tronco apoia-nos e, com seus frutos, alimenta-nos. Ao contemplar a beleza das árvores olhamos para o alto, ao contemplar a beleza das flores olhamos do alto, a partir de cima.
 
Embora contemplar o resultado acima citado nos remeta ao alto, é no chão que tudo começa.  No chão está o húmus, palavra latina que significa "filhos da terra", de onde se origina a palavra e o conceito humildade, qualidade daquele que não tenta se projetar sobre outras pessoas, nem mostrar ser superior. Húmus é a matéria orgânica depositada ao solo, resultante da decomposição de animais e plantas mortas ou seus subprodutos. O humilde está ao chão, como o húmus; consciente de si faz-se pequeno, voluntariamente; não se compara nem concorre com ninguém; suas referências não são os outros, mas ele próprio, a partir do seu interior; tem consciência de suas fraquezas e limitações.
 
Ser humildade é um desafio. Mais que estar presente é necessário deixar-se envolver como o húmus se mistura à terra a ponto de se tornarem um só, terra saudável, terra boa. Húmus amontoado apodrece, cria bicho, perde a utilidade, fede. O humilde não fica parado, calado, acomodado; ele sai, vai ao encontro, deixa-se abraçar e abraça. Humildade aliada à sabedoria dá condições de discernir e identificar pedras, sementes de ervas daninhas e tudo o mais que, de alguma forma, compromete o êxito do processo. Muitas vezes estes elementos estão escondidos em nós, como no húmus.
 
O humilde é quem ele é, nem mais, nem menos. Cordialidade, respeito, simplicidade, modéstia e honestidade, nobres virtudes, não são sinônimos de humildade que tem, em sua contramão, o orgulho, atitude de quem se vangloria.
 
Os humildes estão ai! Quer encontrá-los? Olhe para baixo, ao chão, pisados, não por serem menores, mas por serem sustento. Se doam, todos os dias, discretamente, como amor, alegria, esperança e gratuidade. O mundo moderno, evoluído em tantos aspectos, reconhece o valor da humildade, mas não se dispõe a começar pelo chão, insiste em começar a construção da casa pelo telhado, fracassando.
 
Os homens e mulheres inesquecíveis, imortais na memória e coração da humanidade são humildes; fizeram e fazem a diferença de forma transformadora, a partir do chão. Ao contemplar a beleza das paisagens, os jardins, as flores, não os notamos, mas eles estão aí, bem à vista, presentes, silenciosamente, em cada detalhe, como o húmus. Ousemos ser humildes!
 

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Sobre o Autor


Padre Ivanaldo Gonçalves de Mendonça

Pe. Ivanaldo e pós-graduado em Psicologia, pároco da Paróquia São José de Olímpia e Coordenador Diocesano de Pastoral. E-mail: ivanpsicol@hotmail.com

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